segunda-feira, 28 de abril de 2008

A Argentina no mau caminho

A Argentina no mau caminho.

A renúncia do ministro da Economia, Martín Lousteau, é mais uma

notícia ruim para quem se preocupa com a estabilidade financeira e
econômica da Argentina. É mais um dado inquietante, portanto, para
quem se interessa pela superação dos impasses do Mercosul e pela
revitalização do bloco. A primeira baixa na equipe da presidente
Cristina Kirchner, depois de apenas quatro meses de gestão, torna mais
evidente a recusa do governo de enfrentar com realismo a inflação e
criar condições para o crescimento equilibrado. O afastamento de
Lousteau e a suspensão das vendas de trigo ao Brasil, apesar dos
compromissos de integração comercial, são conseqüências da mesma
crise, desencadeada pelas opções políticas e administrativas da nova
presidente e de seu marido e antecessor, Néstor Kirchner.
O afastamento de Lousteau era dado como certo duas semanas antes de
sua renúncia, apresentada na quinta-feira à noite. Sua decisão foi
anunciada logo depois do primeiro discurso do ex-presidente Néstor
Kirchner como novo chefe do Partido Justicialista. Nesse
pronunciamento, Kirchner rejeitou, sem mencionar nomes, a proposta de
um esfriamento da economia. "Aqui ninguém vai interromper o
crescimento do país", disse Kirchner. A proposta havia sido
apresentada pelo ministro da Economia, na semana anterior, como parte
de uma estratégia antiinflacionária.
A política de ajuste incluiria, entre outras medidas, a redução do
gasto público e o corte de subsídios concedidos pelo governo central.
Seria uma opção pelo realismo fiscal, especialmente recomendável, no
caso argentino, diante da frouxidão da política monetária e da
preferência pelo câmbio depreciado.
Mas prevaleceu a orientação populista definida pelo ex-presidente e
integralmente convalidada por sua mulher e sucessora no gabinete
presidencial da Casa Rosada. A política de crescimento será mantida,
segundo tudo indica, sem maior preocupação com os fundamentos da
economia. O índice oficial de preços continuará a mostrar a inflação
conveniente para os interesses políticos do governo. Martín Lousteau
tentou interferir na elaboração do índice, mas não conseguiu. O
indicador oficial continua mostrando uma alta de preços em torno de
8%. O governo projeta para 2008 uma taxa inferior a 10%. Consultorias
independentes calcularam para 2007 uma inflação na faixa de 22% a 25%
e estimam para este ano um resultado em torno de 30%.
As distorções vêm-se acumulando há alguns anos. O presidente Néstor
Kirchner preferiu deixar de lado os instrumentos próprios para o
controle da inflação, como as políticas fiscal e monetária, e recorreu
a tentativas de "acordos de cavalheiros" com o setor privado - na
prática, pressões para tabelamento de preços. Os resultados foram os
de sempre. Faltaram produtos nas grandes lojas varejistas, mais
facilmente controláveis pelos fiscais, e os consumidores tiveram de
recorrer ao pequeno comércio, pagando preços mais altos para obter as
mercadorias.
A alta das cotações das commodities no mercado internacional agravou
os problemas. A tributação de exportações deixou de ser apenas um
expediente fiscal, destinado a aumentar a receita do Tesouro, e
converteu-se num instrumento de contenção da alta de preços. Os
produtores agropecuários, impedidos de aproveitar as oportunidades
abertas no mercado internacional, decidiram apelar para o locaute,
bloqueando estradas e cortando o abastecimento das cidades.
Martín Lousteau foi mantido fora das negociações com os produtores.
Suas divergências em relação à política de controle de preços eram
conhecidas e tornaram-se indisfarçáveis depois de um incidente no
começo de abril, quando câmeras de televisão captaram uma discussão
entre ele e o secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno. Ambos
estavam num palco e acompanhavam a presidente Cristina Kirchner.
Moreno é figura de confiança de Néstor Kirchner, assim como o
economista Carlos Fernández, guindado da chefia da Receita para o
cargo de ministro na sexta-feira. A reafirmação do padrão Kirchner de
governo poderá manter o crescimento econômico por algum tempo, mas
levará ao agravamento de uma inflação já muito elevada. Ao avançar
nesse caminho, a Argentina tornará cada vez mais distante a
convergência macroeconômica dos sócios do Mercosul e mais difícil a
consolidação do bloco.

O Estado de São Paulo

Assunto: Opinião
Título: 1v A Argentina no mau caminho
Data: 26/04/2008


Um comentário:

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