quinta-feira, 24 de abril de 2008

Citi: maré de valorização das bolsas latino-americanas está ameaçada


SÃO PAULO - A despeito da volatilidade que afeta o desempenho dos principais mercados acionários externos e das incertezas - nunca tão altas - a respeito da atual crise financeira e do quadro econômico nos países desenvolvidos, muitos ativos latino-americanos vêm sendo negociados em suas máximas históricas.

A pergunta que atormenta os analistas do Citi é: por quanto tempo tal cenário de resistência irá durar? A começar por suas projeções macroeconômicas para o mundo e para a região, divulgadas em relatório na última sexta-feira (18), não muito, tendo em vista que a forte desaceleração no G-7 acabará por afetar os mercados emergentes, ainda que em considerável menor dimensão.

Com isso, o banco de investimentos reduziu sua aposta de crescimento para as economias emergentes em 2008 de 6,9% para 6,1%, o que, entretanto, ainda é, "de longe, bem menos preocupante do que nas economias desenvolvidas". Para o Citi, isto se deve à diversificação da pauta exportadora dos emergentes e de suas condições macroeconômicas mais sólidas, bem como uma demanda doméstica mais fortalecida.

O recrudescimento das condições
Mais resistentes, porém não imunes. Assim devem se apresentar as economias emergentes neste ano. Na leitura do Citi, uma recessão norte-americana mais severa que a prevista pode pesar sobre a tendência ascendente da cotação das commodities, afetando com isso boa parte das empresas latino-americanas e dos mercados acionários da região.

Ademais, outro fator que se põe como agravante ao cenário à América Latina neste ano é a provável intensificação da trajetória de desvalorização do dólar frente às outras moedas do mundo, que, mais fortes em relação à divisa norte-americana, desestimulam as exportações e podem afetar o crescimento econômico de seus países.

Vale e Petro vulneráveis
Se os riscos quanto ao cenário macroeconômico estão gradualmente se elevando, o quadro em torno dos desempenhos corporativos acompanha tal tendência. "Vemos riscos negativos às nossas projeções de resultados, ainda que as empresas latino-americanas se apresentem menos vulneráveis do que companhias de outras partes do mundo".

Neste contexto, partindo da premissa de que ações atreladas ao desempenho econômico global - em particular, dos setores de mineração, petróleo, siderurgia, papel e celulose e aviação - se apresentam mais voláteis e vulneráveis, os analistas do Citi recomendam certa distância de ações como CSN, Aracruz, Embraer e Gerdau. A prerrogativa também cabe aos papéis de Petrobras e Vale.

No contraponto, a equipe do banco de investimentos prefere aplicações em setores mais defensivos, voltados aos fundamentos internos, como de consumo. Quanto ao desempenho do mercado acionário brasileiro nos próximos meses, o Citi se mostra cauteloso quanto ao rumo da política monetária no país.

Duvidando da crença de que "muito do arrocho nos juros já foi feito", os analistas prevêem ainda elevações significativas na taxa Selic, o que deverá afetar não somente a performance das ações, mas também o mercado de renda fixa e, em última instância, os resultados corporativos, em decorrência da provável desaceleração econômica.

Fonte: InfoMoney

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